Projetos Desenvolvidos em Moçambique

PROGRAMA DE IMPLANTAÇÃO DE PISCICULTURA EM ANGOCHE, PROVÍNCIA DE NAMPULA  - MOÇAMBIQUE

 

I - Informações Gerais do Projeto 

1.1 Título do Programa 

 

Programa de Implantação do programa de implantação de PISCICULTURA EM ANGOCHE, PROVÍNCIA DE NAMPULA - MOÇAMBIQUE, COMPREENDENDO UMA UNIDADE DE PRODUCAO DE TILAPIA E UMA UNIDADE DE PROCESSAMENTO DE PESCADO.

 

1.2 FONTES DE RECURSOS

 

O orçamento total do Investimento do Programa corresponde a U$ 9.995.621,08 (nove milhões novecentos e noventa e cinco mil seiscentos e vinte e um dólares americanos), conforme demonstrado no quadro abaixo (Quadro I).

 

ORÇAMENTO TOTAL E PLANO DE FINANCIAMENTO - QUADRO I US$ 

 

INVESTIMENTO TOTAL DE U$ 9.995.621,08

 

SENDO:

 

Unidade de Produção de Pescado U$ 4.240.104,31

 

Unidade de Processamento de Pescado U$ 5.755.516,77

 

1.3 AGÊNCIA FINANCIADORA

 

Banco de Investimento de Moçambique

 

  • IMPORTADOR

 

      SCGlobal Lda, localizada em Angoche na Província de Nampula - Moçambique. 

 

  • EXPORTADOR

 

      JM Comércio e Serviços Ltda.

 

1.6.MOEDA NA QUAL SE PRETENDE CONTRATAR O FINANCIAMENTO

 

Dólar dos Estados Unidos da América (US$).

 

1.7 PRAZO DE EXECUÇÃO 

 

O Projeto será desenvolvido em 60 meses (5 anos).

 

1.8 PRAZO DE IMPLANTAÇÃO E INÍCIO DE PRODUÇÃO 

 

Implantação em 12 meses (1 ano).

 

II. BREVE HISTÓRICO SOBRE MOÇAMBIQUE

 

Moçambique, oficialmente República de Moçambique, é um país localizado no sudeste da África, banhado pelo Oceano Índico a leste e que faz fronteira com a Tanzânia ao norte; Malawi e Zâmbia a noroeste; Zimbabwe a oeste e Suazilândia e África do Sul a sudoeste. A capital e a maior cidade do país é Maputo (chamada de Lourenço Marques durante o domínio português).

 

Depois de mais de quatro séculos de domínio português, Moçambique tornou-se independente em 1975, transformando-se na República Popular de Moçambique pouco tempo depois. Após apenas dois anos de independência, o país mergulhou em uma guerra civil intensa e prolongada que durou de 1977 a 1992. Em 1994, o país realizou as suas primeiras eleições multipartidárias e manteve-se como uma república presidencial relativamente estável desde então.

 

Moçambique é dotado de ricos e extensos recursos naturais. A economia do país é baseada principalmente na agricultura, mas o setor industrial, principalmente na fabricação de alimentos, bebidas, produtos químicos, alumínio e petróleo, está crescendo. O setor de turismo do país também está em crescimento. A África do Sul é o principal parceiro comercial de Moçambique e a principal fonte de investimento directo estrangeiro. Portugal, Brasil, Espanha e Bélgica também estão entre os mais importantes parceiros económicos do país. Desde 2001, a taxa média de crescimento económico anual do PIB moçambicano tem sido uma das mais altas do mundo. No entanto, as taxas de PIB per capita, índice de desenvolvimento humano (IDH), desigualdade de renda e expectativa de vida de Moçambique ainda estão entre as piores do planeta.

 

A única língua oficial de Moçambique é o português, que é falado principalmente como segunda língua por cerca de metade da população. Entre as línguas nativas mais comuns estão o macua, o tsonga e o sena. A população de cerca de 24 milhões de pessoas é composta predominantemente por povos bantos. A religião mais popular em Moçambique é o cristianismo, mas há uma presença significativa de seguidores do islamismo. O país é membro da União Africana, da Commonwealth Britânica, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da União Latina, da Organização da Conferência Islâmica, da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral e da Organização Internacional da Francofonia.

 

Com 801 537 quilômetros quadrados de área territorial, Moçambique é o 34º maior país do mundo em área territorial, sendo comparável em tamanho à Turquia. Moçambique está localizado na costa sudeste da África. Faz fronteira com a Suazilândia ao sul; com a África do Sul ao sudoeste; com o Zimbabwe a oeste; com Zâmbia e Malawi a noroeste; com a Tanzânia ao norte e com o Oceano Índico a leste.

Moçambique está situado na costa oriental da África Austral, limitado a norte pela Tanzânia, a noroeste pela Zâmbia e Malawi, a oeste pela Suazilândia e pelo Zimbabwe, a sul e oeste pela África do Sul e a leste pelo Canal de Moçambique.

A norte do rio Zambeze o território é dominado por um grande planalto, com uma pequena planície costeira bordejada de recifes de coral e, no interior, limita com maciços montanhosos pertencentes ao sistema do Grande Vale do Rift. A sul é caracterizado por uma larga planície costeira de aluvião, coberta por savanas e cortada pelos vales de vários rios, entre os quais destacando-se o rio Limpopo.

 

 

 

 

 

  

CLIMA

O clima do país é úmido e tropical, influenciado pelo regime de monções do Índico e pela corrente quente do canal de Moçambique, com estações secas de Junho a Setembro. As temperaturas médias em Maputo variam entre os 13-24 °C em Julho a 22-31 °C em Fevereiro.

A estação das chuvas ocorre entre Outubro e Abril. A precipitação média nas montanhas ultrapassa os 2000 mm. A umidade relativa é elevada situando-se entre 70 a 80%, embora os valores diários cheguem a oscilar entre 10 e 90%. As temperaturas médias variam entre 20 °C no Sul e 26 °C no norte, sendo os valores mais elevados durante a época das chuvas.

DEMOGRAFIA

 

As províncias da Zambézia e Nampula são as mais populosas do país e concentram cerca de 45% da população moçambicana. Os macuas são o grupo dominante na parte norte do país, os sena e shonas (principalmente ndaus) são proeminentes no vale do Zambeze e os tsongas são predominantes no sul de Moçambique. Outros grupos incluem os macondes, WaYaos, suaílis, tongas, chopes e unguis (incluindo zulus). Povos bantos compreendem 97,8% da população, enquanto o restante, incluindo africanos brancos (em grande parte de ascendência portuguesa), euro-africanos (mestiços de povos bantos e portugueses) e indianos. Cerca de 45 mil pessoas de ascendência indiana residem em Moçambique.

 

Durante o governo colonial português, uma grande minoria de pessoas de ascendência portuguesa vivia permanentemente em quase todas as regiões do país 24 e moçambicanos com sangue português, no momento da independência do país, eram cerca de 360 mil pessoas. Muitos deles deixaram a região após a independência moçambicana em 1975. Há várias estimativas para o tamanho da comunidade chinesa em Moçambique, sete mil a doze mil pessoas.

 

ECONOMIA

 

A moeda oficial é o metical, que substituiu a moeda antiga a uma taxa de mil para um. O metical antigo foi retirado de circulação pelo Banco de Moçambique até o final de 2012. O dólar estadunidense, o rand sul-africano e, recentemente, o euro também são moedas amplamente aceitas e utilizadas em transações comerciais o país. O salário mínimo legal é de cerca de 60 dólares por mês.

 

Moçambique é membro da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC - sigla em inglês). O protocolo de livre comércio da SADC visa tornar a região da África Austral mais competitiva, ao eliminar tarifas e outras barreiras comerciais. Em 2007, o Banco Mundial falou sobre o "ritmo de crescimento econômico inflado" de Moçambique e um estudo conjunto do governo e de doadores internacionais no mesmo afirmou que "Moçambique é geralmente considerado como uma história de sucesso na ajuda humanitária". Também em 2007, Fundo Monetário Internacional (FMI) disse que "Moçambique é uma história de sucesso na África subsaariana." No entanto, apesar deste aparente sucesso, tanto o Banco Mundial e quanto a UNICEF usaram a palavra "paradoxo" para descrever o aumento da desnutrição infantil crônica em face ao crescimento do PIB moçambicano. Entre 1994 e 2006, o crescimento médio do PIB foi de aproximadamente 8% ao ano, no entanto, o país continua sendo um dos mais pobres e subdesenvolvidos do mundo. Em uma pesquisa de 2006, três quartos dos moçambicanos afirmaram que nos últimos cinco anos a sua situação econômica permaneceu a mesma ou tornou-se pior.

 

O reassentamento de refugiados da guerra civil e reformas econômicas bem sucedidas levaram a uma alta taxa de crescimento: o país teve uma recuperação econômica notável, atingindo uma taxa média anual de crescimento do PIB de 8% entre os anos de 1996 e 2006 e entre 6% e 7% no período entre 2006 e 2011. As devastadoras inundações do início de 2000 desaceleraram o crescimento econômico para 2,1%, mas uma recuperação completa foi alcançada em 2001, com um crescimento de 14,8%. Uma rápida expansão no futuro dependia de vários grandes projectos de investimento estrangeiro, o prosseguimento das reformas econômicas e a revitalização dos setores de turismo, agricultura e transportes. Em 2013, cerca de 80% dos habitantes do país estava empregada no setor agrícola, a maioria dos quais dedicados à agricultura de subsistência em pequena escala, que ainda sofre com uma infraestrutura, redes comerciais e níveis de investimento inadequados. Apesar disso, em 2012, mais de 90% das terras cultiváveis de Moçambique ainda não tinham sido exploradas. Em 2013, um artigo da BBC informou que, desde 2009, portugueses estão a voltar para Moçambique por causa do crescimento da economia local e pela má situação económica de Portugal, devido a crise da dívida pública da Zona Euro. 

PESCA E DERIVADOS

 

A costa marítima moçambicana figura entre as mais ricas em pescado do continente africano. Dada a abundância dos seus recursos hidrográficos, a pesca é praticada em quase toda a extensão do território, constituindo uma atividade complementar à agricultura.

 

Contudo, falta o desenvolvimento da pesca de água doce, principalmente por possuírem  potencialidades suficientes para alavancar a economia do país.

 

III. JUSTIFICATIVAS E APRESENTAÇÃO DA PROPOSTA

 

3.1 DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO-PROBLEMA

 

3.1.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DA PROVÍNCIA DE NAMPULA

 

A província de Nampula, na região norte de Moçambique, A sua capital é a cidade de Nampula, localizada cerca de 2150  km a norte da cidade de Maputo, a capital do país. Com uma área de 79 010  km², esta província é a que está dividida em mais distritos, 18, e possui, desde 2008, 6 municípios: Angoche, Ilha de Moçambique, Monapo, Nacala Porto, Nampula e Ribaué.

 

Em 2007, esta era a província com mais população, com um total de 3 985 613 residentes. Em termos de densidade populacional, o valor de 50,44 habitantes por km² só era ultrapassado pela província de Maputo. Entre 1997 e 2007, a população cresceu mais de 25%, tendo sido a única províncias moçambicana que contabilizou um acréscimo de mais de um milhão de habitantes.

 

Geografia

Localizada no nordeste de Moçambique, a província de Nampula faz fronteira a norte, através do rio Lúrio, com as províncias de Cabo Delgado e Niassa. A sudoeste está separada pelo rio Ligonha da Zambézia, encontrando-se a este com o Oceano Índico.

 

Economia

A sua economia está essencialmente ligada à produção de castanha de caju, algodão, tabaco, pedras preciosas e outros minerais.

3.1.2 URBANIZAÇÃO RÁPIDA E SEUS EFEITOS

 

O acelerado processo de urbanização pelo qual tem passado Moçambique, nos últimos anos, decorre dos prejuízos causados pela guerra conjugados em dois fatores principais, falta de segurança no campo e a busca de trabalho com oportunidades concentradas nas cidades. Indutores de migração de um grande contingente populacional da zona rural para as áreas urbanas é o que transformou Moçambique, em um curto período de tempo, na condição de país urbano.

 

O Agro-negócio não poderia ficar de fora, pois o Governo vem buscando meios de incentivar a população a produzir. Este é um dos desafios primordiais do Governo, fazer com que o País possa produzir novamente. 

 

Como conseqüência direta desse processo, registra-se o surgimento, ou agravamento, dos problemas sócio-ambientais e econômicos que caracterizam as cidades. A rapidez como se processou a urbanização do país se tornou inversamente proporcional à capacidade de o Estado prover a infra-estrutura básica e serviços sociais urbanos. Em conseqüência, registram-se o colapso nos equipamentos urbanos e a precariedade das condições de vida nas áreas urbanas, tanto nas grandes cidades como nos centros menores, representada pela formação de periferias cada vez mais distantes e marginalizadas, aumento da violência, deficiência de infra-estrutura, sobrecarga nos equipamentos comunitários, precariedade nos sistemas de transporte coletivo e degradação ambiental, seja pela ocupação de áreas impróprias para moradias e de grande valor ecológico como mangues, margem de rios, encostas de morros e fundos de vale, ou pela poluição do ar e da água pelo lixo e efluentes de origem doméstica e industrial.

 

Assim, o crescimento acelerado da população urbana impacta diretamente a demanda por moradias. Diante da histórica incapacidade de o Poder Público atender ou fomentar o atendimento dessa demanda em bases adequadas, registra-se ocupação irregular e desordenada do espaço urbano notadamente pelos estratos mais desfavorecidos da população. A conjugação de habitações precárias, edificadas em áreas impróprias e, carência de infra-estrutura de saneamento ambiental define os contornos do quadro conhecido: lançamento, a céu aberto, nas ruas ou encostas, de esgotos sem tratamento, deposição de lixo descontrolada, ligações clandestinas às redes de água e de energia, derrubada de árvores e eliminação de vegetação de menor porte, tudo isso tendo como produto final desassossego e desconfortos para a população, enfermidades geradas ou transmitidas por insetos e roedores, maus odores e sobretudo risco de perdas de patrimônio e mesmo de vidas humanas decorrentes de inundações e alagamentos  e movimentos de solos e rochas. 

 

3.1.3 CARACTERÍSTICAS GERAIS DE ANGOCHE MUNICÍPIO DA PROVÍNCIA NAMPULA

 

Angoche é cidade e município de Nampula, um ponto de contacto importante com a ilha de Moçambique, e que durante muitos anos foi um posto fundamental no comércio costeiro do país.

 

Até 1976, Angoche chamou-se António Enes, em homenagem a um jornalista português, então governador da região. Angoche tornou-se município em 1998. 

 

Fundada por um sultão muçulmano, Angoche foi um ponto de resistência à conquista por parte dos portugueses.

 

Apesar de ter sido substituída por Quelimane como principal ponto de entrada no país, Angoche manteve o seu estatuto de grande posto comercial. 

Hoje, o município é uma calma zona costeira com poucas recordações visíveis do seu passado. Em 2007 calculou-se que a populacão de Angoche fosse de 82,388 pessoas. 

 

Barco pesqueiro.

Mais de 1200 empresas estatais (principalmente pequenas) foram privatizadas no país. Os preparativos para a privatização e/ou liberalização do setor estão em andamento para as restantes empresas estatais, como as dos setores de telecomunicações, energia, portos e ferrovias.

 

O governo frequentemente seleciona um investidor estrangeiro estratégico quando quer privatizar uma estatal. Além disso, os direitos aduaneiros foram reduzidos e a gestão aduaneira foi simplificada e reformada.

 

O governo introduziu um imposto sobre valor agregado, em 1999, como parte de seus esforços para aumentar as receitas internas. Em 2012, grandes reservas de gás natural foram descobertas em Moçambique, receitas que podem mudar drasticamente a economia do país. 

 

4. DESCRIÇÃO DO PROGRAMA 

 

O Programa compreende a Implantação de uma unidade de Produção de Tilápia num empreendimento de piscicultura, em sistema intensivo de criação e uma Unidade de Processamento de Pescado, na propriedade da empresa SCGlobal Lda, localizada no Lago Namaue do município de Angoche, Província de Nampula - Moçambique.

 

A partir deste momento,passaremos a descrever o Programa em dois Projetos: 

 

  1. UNIDADE DE PRODUÇÃO DE TILÁPIA (PROJETO I);

  2. UNIDADE DE PROCESSAMENTO DE PESCADO (PROJETO II).

 

4.1 UNIDADE DE PRODUÇÃO DE TILÁPIA

 

4.1.1 OBJETIVO DE DESENVOLVIMENTO

 

Este projeto tem por objetivo propor a atividade de piscicultura, de forma economicamente viável e ecologicamente correta, respeitando a capacidade de suporte do ambiente local, conferindo a sustentabilidade ao sistema a ser implantado. 

 

 

4.1.2 METAS PRELIMINARES

 

As principais metas preliminares do Projeto são: 

 

  • Produção de alimento;

  • Melhoria na condição socioeconômica da população local;

  • Criação de empregos diretos e indiretos;

  • Lucratividade ao investidor.

 

4.1.3 ESTRUTURA DO PROJETO (AÇÕES PREVISTAS PARA IMPLEMENTAÇÃO DA PROPOSTA)

 

Para cumprimento de seus objetivos e metas o Projeto está estruturado em Bens e Serviços no Brasil e no Exterior, divididos em Etapas A, B e C, com duração total de 60 meses como mostra cronograma em anexo. As etapas estão distribuídas da seguinte forma:

 

  • ETAPA A: Exportação de Bens(Máquinas e Equipamentos, Utensílios Operacionais, Utensílios de Instalação, Materiais para uso Operacional) e Serviços de Desenvolvimento do Projeto realizado tanto no Brasil quanto em Moçambique, como também, a construção das edificações da área de situação do Projeto;

 

  • ETAPA B: Início das exportações de Bens (Insumos - Alevinos e Rações), Assessoria Técnica de acompanhamento e o Custeio de Operacionalidade;

 

  • ETAPA C: Continuidade das exportações de Bens (Insumos - Alevinos e Rações), Assessoria Técnica de acompanhamento, Custeio de Operacionalidade e Receita de Produtividade.

 

4.1.4 FUNDAMENTOS E JUSTIFICATIVA DO PROJETO

 

A necessidade de atingir um desenvolvimento sustentável tem levado todas as nações a buscar um equilíbrio entre o crescimento e a proteção dos recursos naturais. Nesse contexto, a água se mostra um elemento vital por ser um recurso finito e de distribuição irregular no planeta (SCARE, 2003).

 

Estima-se que, atualmente, a quantidade total de água no planeta seja de 1.386 milhões de km3, onde 97,5% desse total formam os oceanos (Figura abaixo). Os 2,5% restantes são de água doce, 68,9% desse valor corresponde a águas congeladas nas calotas polares e no cume das montanhas mais altas da terra, 29,9% constituem as águas subterrâneas, 0,9% correspondem às águas dos pântanos e as águas presentes nos rios e lagos somam apenas 0,3% desse valor (REBOUÇAS, 2002).

 

Distribuição das águas na terra. 

Fonte: Rebouças (2002).

Com a evolução da questão ambiental e considerando as condições hídricas apresentadas, o cultivo racional de organismos aquáticos, atividade fito e zootécnica mais conhecida como aquicultura, se mostra como atividade economicamente emergente, a competir pelo recurso água com inúmeras outras.  Atualmente, esta atividade encontra-se diante do desafio de moldar-se ao conceito de sustentabilidade, o que implica agregar novos valores aos conceitos que movem as pesquisas e as práticas do setor. 

 

Neste sentido, qualquer pessoa que esteja envolvida no desenvolvimento da aquicultura (cientistas, extensionistas, produtores, administradores e governo), deve entender que os recursos naturais só apresentarão todo o seu potencial de uso em benefício da comunidade se forem utilizados sob o ponto de vista da sustentabilidade do sistema (ELER, 2000).

 

A aquicultura é uma prática antiga, mas, apesar disso, somente nos últimos 30 anos experimentou um significativo incremento, tornando-se, nesta virada de milênio, a atividade agropecuária que mais cresceu no mundo. O maior crescimento da aquicultura é verificado na Ásia e na América do Sul, numa explosão que poderia ser comparada àquela da avicultura e suinocultura a partir da metade do século 20 (ZIMMERMANN, 2001). Segundo a FAO (2007), a produção aquícola mundial, incluindo algas, excedeu em 2004 os 59 milhões de toneladas e, em valor monetário, atingiu a casa dos US$ 70 bilhões. 

 

A piscicultura envolve uma nova concepção, a de uma atividade de controle indireto. A quantidade de peixes cultivados que se imagina ter, não é passível de ser comprovada, a não ser na hora da despesca. Praticamente não se observa o peixe crescer, mas há o acompanhamento do bem-estar do peixe, por meio do controle da qualidade da água (cor, cheiro, ph, teores de oxigênio e amônia dissolvidos), da aceitação do alimento, do comportamento do cardume, entre outros parâmetros. Isso é muito diferente dos demais cultivos, como a criação de gado, por exemplo, na qual se pode mostrá-lo a qualquer hora, vê-lo comer, crescer, mantendo um contato direto com o animal. 

 

O objetivo da piscicultura é utilizar técnicas de manejo que visam obter o maior número de indivíduos para um determinado espaço e maximizar o crescimento desses indivíduos no menor intervalo de tempo possível (GARUTTI, 2003).

 

A maioria dos cultivos de pescado de água doce continua sendo desenvolvido em pequenas propriedades rurais, que ainda os têm como atividade complementar. Por outro lado, a falta de visão técnica e comercial por parte da maioria dos produtores é um fato evidente. Poucos fazem planilhas de controle dos custos da produção e, quando muito, “rabiscam” um caderno com registro das compras de insumos e das vendas (BORGUETTI; OSTRENSKY; BORGUETTI, 2003).

 

Encarar a atividade de piscicultura como atividade empresarial, que demanda insumo e gera resíduo, se torna essencial para melhorar a eficiência deste processo produtivo. 

 

Investimentos na atividade de aquicultura, em Moçambique, além de ser uma ótima e rentável opção, ainda vai de encontro com os interesses do governo moçambicano. 

 

4.1.5 ÁREAS DO PROJETO (16o 09’ 16” S / 39o 59’ 50” / altitude 20m)

 

O Lago de Namaue, localizado no município de Angoche detém uma área de aproximadamente 50 ha bem servidas por águas propícias à prática da aquicultura (figura 1 e 2), contudo a área produtiva do projeto contempla apenas e aproximadamente 9 mil m³ e sua área cercada com todos os equipamentos previstos em sua implantação possui 37,50 ha, como podemos observar na planta de situação.

 

4.1.6 IMPLANTAÇÃO NA ÁREA DO PROJETO

 

Os trabalhos de campo serão realizados com foco na topografia do terreno, composição do solo, disponibilidade e qualidade hídrica. 

 

Serão coletadas amostras constantemente em pontos específicos para a avaliação dos parâmetros físico químicos da água. Para levantamento dos dados de campo utilizaremos basicamente os seguintes equipamentos:

 

  • Veículo

  • Planilha de campo;

  • Câmera Digital;

  • Aferidor do potencial hidrogenionico (pH) à campo;

  • Sonda multiparâmetro para avaliação à campo das principais variáveis físico-químicas relativas a qualidade da água destinada a criação de peixes;

  • GPS.

 

4.1.7 diagnóstico situacional

 

Neste ponto avaliamos e adequamos as estradas de acesso ao local, visando garantir boas condições de trafegabilidade, sem comprometer a aquisição de insumos e o escoamento da produção, uma vez que, no desenvolvimento do cultivo aqüícola se faz necessário o acesso de veículos grandes e geralmente com carga pesada. 

 

A água que abastecerá os tanques atende as exigências para o cultivo da espécie escolhida. Para um melhor controle das variáveis que podem influenciar na produtividade, será realizada uma nova avaliação da qualidade da água “in loco” com auxílio de sonda multiparâmetro, comparando os valores obtidos com os ideais para a prática da atividade de criação de peixes em cativeiro, como observado na Tabela 1.

 

O local selecionado para implantação do cultivo foi determinado, respeitando o relevo e as características do solo e água presentes em local estratégico para otimizar o manejo e logística adotados. 

 

4.1.7 Implantação do cultivo

 

Com base no exposto e patamar de produção almejado, utilizaremos 400 tanques rede ( 3,0 x 3,0 x 2,5 mt ) e 100 bolsões criadores de alevinos, conforme ilustrado nas Figuras abaixo, totalizando uma área produtiva de aproximadamente 9 mil m³. O parque de cultivo será construído de acordo com as recomendações técnicas padrões e legislação vigente para licenciamento ambiental. Ressalta-se ainda que o produtor está conscientizado de que as modificações propostas no meio ambiente deverão ser as mínimas necessárias, visando o alcance do equilíbrio ambiental e com isso garantir a sustentabilidade do empreendimento.

 

4.1.8 Espécie Proposta

 

A espécie proposta para engorda na piscicultura é a tilápia do Nilo, Oreochomis niloticus, linhagem Thai-chitralada (Figura abaixo), conhecida também como Tilápia Tailandesa. Tal linhagem vem se destacando no cenário mundial, sendo apontada como a de melhor desempenho zootécnico existente. 

 

A Tilápia é uma espécie nativa da África e em pouco tempo se tornou em uma das principais espécies de peixes produzidas pela piscicultura em Moçambique. As tilápias são apreciadas pela qualidade de sua carne e pela sua rusticidade.

As tilápias se encontram como o segundo grupo de peixes mais produzido no mundo, perdendo apenas para as carpas. Grande parte das criações de tilápias no mundo utiliza populações mono-sexo, conseguidos pelo método de reversão sexual. Este método consiste na aplicação, via ração, do hormônio masculinizante 17α-Metiltestosterona, ainda no período larval.

 

A utilização de espécies do sexo masculino, pode ser explicada devido ao fato dos machos apresentarem um crescimento mais rápido, visto que as fêmeas, por apresentarem uma maturação sexual precoce, desviam boa parte da sua energia para reprodução. Por outro lado, o produtor ao adquirir tilápias revertidas, obtém um lote mais homogêneo, facilitando o controle da população e da qualidade da água. Em caso de escape a presença de apenas indivíduos machos dificulta a reprodução desta espécie no ambiente natural, visto a capacidade de perpetuação apresentada pela tilápia.

 

 

4.1.9 MANEJO ALIMENTAR

 

O sistema de tanque-rede favorece a produtividade, mas os resultados não são obra do acaso. Nós estamos ciente da importância de cada fator relacionado à produção. A alimentação tem lugar garantido nessa relação, com destaque para a qualidade das rações. "Nos tanques-rede, os peixes não têm acesso ao meio ambiente e a ração é a única fonte alimentar. Por esse motivo, o alimento deve ser de excelente qualidade, com o devido balanceamento dos nutrientes necessários ao desenvolvimento dos peixes". Essa é, também, uma questão ecológica, pois as rações equilibradas não só garantem a produtividade como evitam impactos ao meio ambiente. "A utilização de rações balanceadas diminui a poluição ambiental e reduz os riscos de um colapso do sistema".

 

Entre os ingredientes das rações para criação em tanques-rede, as vitaminas merecem atenção especial. "São os elementos que os peixes mais necessitam quando não estão em seu ambiente natural. Por isso, as rações devem apresentar níveis satisfatórios de vitaminas".

 

Outro nutriente fundamental é a proteína. O nível protéico das rações para criação em tanques-rede deve ficar entre 32% e 36%. "Rações de maior nível protéico são mais caras, mas este custo se justifica.

 

Vale lembrar que os gastos com alimentação nesse sistema situam-se entre 50% e 70% dos custos totais de produção. "Por ser o fator economicamente mais importante, é imprescindível investir na dieta correta, pois a resposta virá em produtividade e, conseqüentemente, em lucratividade".

 

 

4.1.10 Arraçoamento

O arraçoamento absorve boa parte dos recursos aplicados na piscicultura, assim é necessário elaborar um plano de alimentação que assegure o desenvolvimento com o menor custo possível. O arraçoamento deve oferecer suporte para explorar todo potencial de crescimento que a espécie apresenta, além de melhorar a qualidade da carne e obter um peixe mais saudável e resistente.

O arraçoamento deve ser elaborado de acordo com a exigência nutricional, entre as espécies, ou mesmo, adaptando-se ao crescimento do peixe. Ajustes na granulometria das rações são necessários para que ocorra uma correspondência entre o tamanho do peixe e da partícula. Rações para larvas são fareladas, apresentam uma maior concentração de proteína bruta em sua composição. Conforme aumenta a granulometria da ração diminui sua concentração de proteína bruta.

 

O fornecimento de ração deve sempre ser assistido, o que possibilita um contato direto do técnico com os peixes, atividade muito importante para evidenciar possíveis problemas e avaliar melhor o plantel. As rações devem ser armazenadas em um galpão, protegidas da umidade e radiação solar, empilhadas sobre estrados de madeira.

 

O número de vezes em que se fornece o alimento aos peixes varia de acordo com a temperatura, espécie, estágio de desenvolvimento e com a qualidade da água. No inverno a alimentação deve ser fornecida nos dias e horários mais quentes, observando eventuais sobras para acertar a quantidade de ração fornecida. Neste período os peixes ingerem uma menor quantidade de alimento. Normalmente, nas primeiras fases de vida, o alimento deve ser fornecido várias vezes ao dia. 

 

A quantidade e o tipo de ração a ser fornecida são calculados de acordo com o peso médio dos peixes, obtido na biometria (Tabela na proxima pagina).

 

A biometria é o manejo que visa obter o peso médio dos peixes e biomassa estocada nos viveiros, a fim de calcular arraçoamento e acompanhar desenvolvimento dos animais. A Biometria deve ser feita com auxílio de uma tarrafa, um balde e uma balança. O procedimento deve ser realizado com os peixes em jejum e a partir do peso médio obtido, um ajuste na quantidade de ração fornecida deve ser realizado, conforme indicado na tabela acima.

 

4.1.11 Povoamento

Preparo dos tanques rede  

Bolsão criador de alevinos

Já com os tanques rede devidamente montados e revisados, instala-se os bolsões criadores para receber os alevinos. Os bolsões são uma espécie de sacos com uma malha pequena, para que os alevinos não escapem dos tanques rede (Figura abaixo) e conforme os peixes vão crescendo eles são transferidos para outros tanques já sem bolsões.

 

Os alevinos ou juvenis são transportados em sacos com água e oxigênio. Ao chegar ao local de povoamento os alevinos não devem ser imediatamente soltos, algumas medidas preliminares devem ser tomadas. 

 

Para aclimatação deve-se colocar os sacos plásticos na água do viveiro por um período de 20 a 30 minutos, objetivando o equilíbrio térmico entre as águas de dentro e de fora do saco.

 

Posteriormente, deve-se misturar lentamente a água destes com a do tanque, evitando-se assim choque de pH, apenas após esses cuidados deve-se lentamente liberar os peixes. 

 

4.1.12 Despesca

Com a despesca, encerra-se o cultivo e inicia-se a fase de comercialização da produção. De nada adiantará cuidar bem do plantel durante todo o cultivo e perder peixes no final, em função de uma despesca mal feita. 

 

Antes da despesca, os peixes são amostrados e avaliados, sendo importante a determinação do estado de saúde, o peso médio e o número de peixes existentes. Os peixes passam por um período de jejum de aproximadamente 24 horas, a fim de esvaziar o trato digestivo.

 

A despesca é realizada com o auxílio de balsas com guinchos, uma das bordas do tanque rede é presa à balsa e a outra é içada até que fique fácil para retirar os peixes do tanque. A despesca será realizada quando o lote atingir o peso comercial, neste caso 700 a 800 gr.

 

Os peixes podem ser comercializados vivos ou “in natura”, o transporte mostra-se como última, mas não menos importante, etapa na comercialização. Muitos fatores podem interferir e comprometer o sucesso do transporte e alguns cuidados são necessários para não comprometer a qualidade do peixe a ser entregue. Dentre estes, destaca-se as condições de qualidade de água, o manejo nutricional imposto, o estado sanitário e o manejo dos animais durante o transporte.

 

 

4.1.13 Necessidade de investimento e recursos

4.1.13.1 Implantação

Os custos apurados de investimentos para a implantação do parque de cultivo e início de da produção serão de US$ 4.058.491,13 (quatro milhões cinquenta e oito mil quatrocentos e noventa e um dólares americanos).

 

4.1.13.3 CRONOGRAMA FÍSICO-FINANCEIRO

 

4.1.13.4 PRAZO DE EXECUÇÃO 

 

O Projeto será desenvolvido em 60 meses (5 anos).

 

 

4.1.13.5 PRAZO DE IMPLANTAÇÃO E INÍCIO DE PRODUÇÃO 

 

Implantação em 12 meses (1 ano).

 

OBS: Caso se interesse em obter o Projeto completo e suas memórias de cálculo, entre em contato com nossos consultores.

 

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